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Réquiem para Adamor Guedes

MARCELO CERQUEIRA, Presidente do Grupo Gay da Bahia, Secretário de Comunicação da Associação Brasileira de gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT), especial para o Jornal A Critica, Manaus, AM site do GGB.

Por mais que eu procure não consigo encontrar as palavras para expressar tudo àquilo que sentimos por você meu irmão. Agente te ama muito e as lagrimas brotam dos olhos vermelhos, a garganta fica presa, os nós na língua não permitem que as palavras saiam sem a dor, sem o sofrimento, sem a angustia de imaginar o quanto você sofreu, o quanto você viu o seu próprio sofrimento antes de morrer passando feito um filme em sua frente. Adamor, pelo seu exemplo agente busca forças para encorajar aqueles que te amam e que certamente continuarão seguindo os seus passos e cultivando a semente que você plantou quando fundou a Associação Amazonense de Gays, Lésbicas e Transgêneros (AAGLT).

Quero lembrar de você, com o seu sorriso largo, com o seu jeito tranqüilo, com os seus cabelos lisos e sua pele morena de índio que você tanto se orgulhava de ser, quando agente brincava e lhe chamava de cunhã-poranga. Quero lembrar de você pela sua generosidade, pela sua cordialidade e pela sua força, pelo seu sonho de um mundo melhor, sem homofobia e sem preconceito. Pelas inúmeras vezes que você foi para as ruas de Manaus lutar e denunciar os crimes contra homossexuais no Estado do Amazonas, delatar os bandidos que matam o nosso povo homossexual e continuam em liberdade, impunes fazendo novas vitimas.

Não posso esquecer quando você foi denunciar o assassinato da travesti Zé Galinha, assassinada de forma violenta e covarde em Manaus. Não posso esquecer de quanta gente você cuidava, meu amigo, de quantas lutas em defesas das pessoas que vivem com Aids você travou. Quantas vezes você foi fazer barba em leão e parto em onça para um mundo melhor, um mundo sem homofobia, sem preconceito e com igualdade de oportunidades para gays, lésbicas e travestis que agora estão órfãos porque dois canalhas mataram o rei, o nosso rei gay da Amazônia, Adamor Gurdes.

Onde estão os homens de bem dessa sociedade, que permitiram que tragédias como essas aconteçam ano a ano em nossa Amazônia? Onde está a polícia, que não apresenta estes canalhas a sociedade, que não prende? Onde está a justiça que não age? Adamor Guedes, não queria morrer, evitou a morte, mas foi espancado e degolado, ele lutou, mas foi vencido pelo ódio pela força bruta de seus algozes amparados na cultura predominante no Brasil que matar “viados” não é crime, é caçada. De que “gay é gente pela metade, se é que são gente” como profetizou o Cardeal do Rio de Janeiro numa cruzada contra os homossexuais.

Os governos têm negligenciado as questões da sexualidade em todo o Brasil. Não podemos continuar pagando com as nossas vidas o preço de nosso desejo. È preciso que o Ministério da Justiça envie imediatamente um emissário a Manaus para junto com a Polícia, Secretária de Estado de Justiça e Direitos Humanos da Amazônia e Secretaria de Segurança Pública acompanhar de perto as investigações desse crime vergonhoso. Este crime não pode cair no esquecimento, não pode fazer as estatísticas da violência, a justiça tem de ser feita de forma enérgica e rápida porque a falta de uma punição exemplar estimula a impunidade.

Diante da realidade que se apresenta não encontramos outra saída senão radicalizar as nossas ações e buscar outros espaços para a reflexão do conservadorismo dos governos nas questões de gênero e sexualidade. As Ongs da Amazônia, aquelas que defendem os Direitos Humanos, devem fazer pressão junto a todos os governos exigindo a imediata apuração desse crime hediondo. Os Direitos Humanos dos homossexuais tem de estar na agenda do governo. Fatos como este ferem duplamente os Direitos Humanos e são decorrentes da dupla moral que impõe o silêncio, cúmplice da violência que permite tragédias como esta serem parte do cotidiano dos homossexuais brasileiros. Desce em paz, Adamor.

 

 


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