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Eleições municipais

Hoje é um novo dia
Roberto Gonçale, especial do Rio de Janeiro


"O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos."

Simone de Beauvoir

 

Mudamos todos os dias, em alguns deles damos saltos. Cheguei aos 47, me sentindo mais consciente e meio crescidinho; pensava eu que nesta idade, seria consolidar o que já tinha, quem sabe agregar mais alguma coisa aqui e ali; continuar buscando satisfação na pratica já cotidiana e talvez, mas talvez mesmo, pensar em ousar alguma coisa fora dali, algo que não fosse nada muito distante ou desgastante.

E assim se foram passando os dias nesta linda idade, cada um trazia uma novidade, algumas eram conhecidas, mas vinham com outra roupagem e as recebia com o mesmo entusiasmo dispensadas àquelas nunca dantes vistas...

De repente, houve um pequeno estremecimento, uma leve vontade, um pensamento meio tolo, meio torto, meio atravessado na linha continua daqueles a que estava me acostumando e esperados dos dias que viriam na bela idade em que me encontrava.. .

Havia no meio do caminho (não, não era uma pedra...) uma eleição, um Partido novo, uma discussão ainda incipiente sobre assuntos que me diziam respeito.

Olhei para os lados e fiquei a me perguntar, por que não? Seria um fato novo, algo a fazer para alem do que já fazia, possivelmente me traria algum prazer, com certeza nenhum dissabor.

Comecei a falar sobre o assunto – eleição - falei com um... falei com outro, o último a quem falei é com a pessoa que falo todo dia, engraçado acabou sendo “o último a saber”....

Bem estava decidido iria ser “candidato”, mas o que era exatamente isto? Ainda não sabia direito; sabia o que queria, sabia porque queria, sabia até um pouco o que algumas pessoas que toparam apoiar de imediato queriam, no entanto saber o que era ser candidato, só vivendo a experiência e, isto eu só iria descobrir depois de assumir o “papel”.

No início queriam alguns me fazer “o candidato”, queriam que eu abandonasse tudo que fazia para ser este “papel”; tive de me “afastar” em algumas atividades, a que mais senti foi a da CDHAJ da OAB/RJ, começaram a querer mais, neste momento comecei a entender e a crescer.

Foi no meio do caminho que descobri plenamente o que me havia feito entrar afoito e feliz nesta empreitada, em uma conversa, disse a um amigo, “eu estou com dificuldade, pois não sou um político”; ele me olhou, ficou de boca aberta por minutos, depois me disse justamente ao contrario do que eu acabara de dizer, perdi o “rebolado” na hora...

Percebi, numa fração de segundos, o que ainda não sabia/entendia integralmente, como as minhas ações profissionais e pessoais eram extremamente políticas como transformavam a realidade, minha e de outros, com o meu simples fazer cotidiano.

Puxa! Dei um salto no entendimento do que faço no cotidiano destes 47 anos; a percepção durou poucos segundos, da mesma forma como foram consumidos outros poucos para “ver“ o que era essencialmente o que me motivava.

Engraçado que alguns meses antes, tive um pequeno “rasgo” de entendimento, também conversando com uma pessoa conhecida, ele me fez a mesma afirmação, não consegui entender tudo o que aquela palavra queria dizer; fui entende-la depois.

De tudo se leva algo, em tudo se deixa algo, levo desta experiência um bocado de aprendizado, um melhor entendimento do que faço e do que me “move”, sem querer dei um “salto” e não caí, pulei para outro patamar de conhecimento;

O que importa neste momento e saber que não estamos disputando, estamos construindo e penso que construímos algo, seja lá o que for, vai exigir um distanciamento, um tempo para ver se cresce, se adquire volume, se toma corpo, se resiste às intempéries.

Mas com certeza está lá.

Penso que todos nós LGBTs, que concorremos nesta eleição, estamos a construir uma peguena viela, um rasgo de caminho, por onde passaremos nós todos, em direção e no rumo a outras conquistas e vitórias.

Digo com certeza que a experiência foi muito rica, pois tive que lidar com os meus limites e limitações, conhecê-los me levou a um amadurecimento, inclusive para perceber o que deixei de fazer, em decorrência das limitações que me impus.

O que era apenas para ser uma discussão interna, um "levantamento de bola" de um tema adormecido, se revelou uma potencialidade de fazeres, que não foram cumpridos, por falta de espaços, de conhecimentos e de práticas.

Importante é perceber que o apreendido, pode ser passado a outro e possivelmente será usado, por mim e pelo outro; o sonhado e realizado, pode ser doado a outro e novamente sonhado, de novo e de novo, até se tornar sólido e concreto.

São simples caminhos, onde não há nenhum caminho a ser seguido, como diz um filósofo, estes só se fazem caminhando; esta é a essência da política que desempenho..

Um caminhar onde não há caminhos, um trilhar onde ainda não há trilhas definidas...

Aos LGBTs que colocaram seus nomes à disposição dos Partidos, aos que digitaram os seus nomes nas urnas, saibam que qualquer construção surge de uma simples pedra, somos ainda estas, mas o nosso sonho é o de uma construção grandiosa a CIDADANIA PLENA.

Descansem por esta noite, sorriam ao deitar, fizemos o que nos era exigido, tivemos o resultado do que é o nosso tempo e circunstância.
 Amanhã voltemos ao trabalho, porque pelo visto ainda temos muito trabalho pela frente, nem pensem em parar; somos operários nesta construção diária, a ausência de qualquer um irá fazer falta. Um enorme, solidário e fraterno abraços a todos. Rio de Janeiro, 7/09/08.

 

 


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