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por Maria Eugênia de Menezes do Guia da Folha de São Paulo - 19/04/09 - SÃO PAULO - Uma após a outra, as estreias de grandes e caras produções como "7 - O Musical", que entrou em cartaz na última sexta-feira (17), se sucedem neste início da temporada teatral 2009. Capaz de espantar patrocinadores e tirar o brilho de grandes eventos, como o Festival de Curitiba, a crise econômica parece passar ao largo dos palcos da cidade de São Paulo. Pelo menos quando o assunto é bilheteria. Visto por 40 mil pessoas no Rio, o musical da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho promete engrossar o coro dos sucessos. A peça carioca mais premiada do último ano estará no teatro Sérgio Cardoso com preços mais baixos que os de costume. A intenção é atrair muitos espectadores para assistir à montagem de cerca de R$ 2 milhões, protagonizada por Alessandra Maestrini, Zezé Motta e Rogéria. Na mais autoral de suas criações, Möeller e Botelho conceberam texto e letras a partir das composições de Ed Motta. "O Ed nos mostrou músicas que já tinham uma atmosfera teatral", diz Botelho. Ambientada num Rio de Janeiro lúgubre e sombrio, a trama dá conta do que seria a versão da madrasta má para a clássica história da Branca de Neve. Para tanto, a pesquisa foi beber no texto original dos irmãos Grimm, deixando de lado a versão edulcorada que Walt Disney popularizou. Com outros seis trabalhos em cartaz, Botelho argumenta: "A crise ainda não chegou ao teatro, pelo menos não nos nossos espetáculos". Três motivos para assistir ao musical
Informe-se sobre o espetáculo No espetáculo, inspirado em textos dos irmãos Grimm, Amélia perde seu grande amor, Herculano, para Bianca --uma moça mais simples e bonita. Orientada por sua madrinha, ela procura uma cartomante que diz que para recuperar o rapaz ela terá de cumprir sete tarefas. (Musical) Duração: 120 minutos Sérgio Cardoso Sala Sérgio Cardoso
ENTREVISTA Rogéria por Leonardo Bruno -
Extra, Rio de Janeiro
Rogéria brilha em 'Sete'Na quarta-feira postei aqui um texto sobre "Sete - O musical", que está em cartaz no Teatro Carlos Gomes. Ontem dei uma ligada para Rogéria, uma das estrelas da peça. Com 44 anos de carreira, a atriz se diz felicíssima com a temporada: "Está me dando prazer, prestígio e dinheiro. O que eu quero mais?". E é por aí mesmo. No espetáculo da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho, Rogéria volta a uma temporada teatral, depois de muito tempo só fazendo shows - sua última peça foi "Roque Santeiro - O musical", com direção de Bibi Ferreira, há mais de dez anos. Mas, segundo a atriz, não foi por falta de convite nem por preconceito. "As pessoas dizem que tem preconceito! Mas eu, sendo artista, não deixo de receber um convite! Eu digo para as bichas: estudem, porque aí vocês vão ser convidadas para fazer todas as peças de teatro!". Essa é Rogéria... Confira um pouco mais do nosso papo. Rogéria, "Sete" está um sucesso e sua volta aos palcos está sendo muito festejada. Era o que você imaginava? Está uma maravilha! Estou felicíssima! A peça é linda e trabalhar com a dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho para mim é uma grande alegria. As pessoas me param na rua pra elogiar, os amigos artistas têm comentado e estão sendo muito generosos comigo. A peça está me dando prazer, prestígio e dinheiro. O que eu quero mais?. É melhor fazer um personagem que foi escrito pra você? Ah, sem dúvida. O personagem fala como eu, tem a minha cara. Mas confesso que, no começo, foi difícil. Como fiquei muito tempo sem fazer teatro, estava um pouco destreinada nessa coisa de decorar texto. Fiquei meio claudicante no início. Mas, quando peguei, deslanchei, foi uma maravilha. Depois da primeira temporada no Teatro João Caetano, saímos de cartaz um tempo, e agora voltamos no Carlos Gomes. No primeiro dia de ensaios, o texto estava todo lá, não tinha esquecido nadinha. Virou orgânico! Você canta durante a peça. Precisou voltar a estudar canto na preparação do espetáculo? Você sabia que eu nunca estudei canto? Nunca! Um professor me viu cantando e disse pra eu não aprender, eu sabia todas as notas. O que é mais complicado nessa peça é que minha primeira música vem depois de um texto imenso, em que fico falando sozinha por quase dez minutos. Aí quando vou cantar estou morta, exausta. Tenho que me concentrar muito para não perder o fôlego. A peça é muito dinâmica. E uma das riquezas desse espetáculo é que, ao contrário da maioria dos musicais que se monta hoje no Brasil, as canções não são conhecidas do público. É verdade. As músicas são do Ed Motta, belíssimas. É tudo tão rico que o público estranha num primeiro momento. Mas depois de um tempo as músicas não saem da sua cabeça.
Você ficou um bom tempo sem fazer temporada numa peça de teatro. Existe preconceito para te convidar para determinados papéis, pelo fato de você ser travesti? Nenhum! Eu vou te dizer uma coisa: eu não paro de receber convite. Chega muita coisa para mim. Mas eu não aceito qualquer coisa. No caso de "Sete", por exemplo, os ensaios são pagos! Charles Möeller e Cláudio Botelho são muito profissionais. Mas tem alguns papéis que eu acho que não devo aceitar. Vou te contar: eu fui convidada para fazer "Tango, bolero e chá-chá-chá". Mas achei que não devia fazer. O personagem era um homem que saía de casa e voltava dez anos depois como uma cantora de cabaré. Mas ele passava por essa transformação e em determinados momentos tinha dificuldade para andar de salto... Como eu ia convencer o público de que a Rogéria não sabe andar de salto? É impossível! Acho complicado fazer papel de macho, porque eu sou muito feminina. Depois, o Edwin Luisi fez o papel e chegou a ser premiado. Mas então você não aceita papéis convencionais? Ora, no fim da década de 70 eu ganhei o Prêmio Mambembe fazendo uma evangélica que era casada com o Grande Otelo. Depois sosseguei e fiquei mais dedicada aos shows, que dão dinheiro, eu viajo mais. Mas se aparece uma coisa boa como "Sete", faço na hora! As pessoas dizem que tem preconceito! Mas eu, sendo artista, não deixo de receber um convite. Eu digo para as bichas: estudem, porque aí vocês vão ser convidadas para fazer todas as peças de teatro! -
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