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Sangue bom, sim, senhor
Parabéns ao Grupo Matizes e ao Piauí, que dão voz
a tantos gays que sofreram o constrangimento de ter o seu sangue negado
nos hemocentros do Brasil pelo simples fato de assumirem sua condição
sexual. É discriminação, sim. E discriminação
institucionalizada. Quando o Estado instrui a Anvisa a determinar se um
cidadão pode ou não doar sangue segundo sua orientação
sexual, tem-se uma situação inegável de discriminação
sexual. É um critério arbitrário e sem fundamento
científico algum. Afinal, todo o sangue coletado nos hemocentros
passa por triagem sorológica do HIV e de tantas outras patologias.
E se o filtro para doação fosse a etnia? E se o Estado não
aceitasse a priori o sangue de negros, ou de japoneses, ou de judeus?
Teríamos uma situação de racismo, matéria
em que a legislação brasileira, felizmente, está
bastante avançada.
A legislação contra a discriminação sexual,
entretanto, ainda engatinha no Brasil e o Estado pratica atos discriminatórios
diariamente quando se nega a receber a contribuição de milhares
de cidadãos gays que querem doar sangue.
DÉCIO HERNANDEZ DI GIORGI
deciogiorgi@yahoo.com.br
São Paulo
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