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Homens recebem vacina contra HPV

Depois das mulheres, agora é a vez de a população masculina testar a eficácia da imunização contra o papiloma vírus

Marcia Gomes, Jornal A Tarde 24/08/05 - O Núcleo de Apoio à Pesquisa das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) está testando a vacina contra o HPV (papilomavírus humano) em homens. As mulheres foram as primeiras a receber as doses da vacina. Na Bahia, os estudos que integram o projeto mundial de controle da doença tiveram início em 2003 e, desde então, 283 voluntárias, com idade entre 16 e 23 anos, foram vacinadas, obtendo-se para este total, aproximadamente, 90% de êxito nas imunizações. Os 10% restantes, mesmo tendo contato com o vírus, não desenvolveram a doença ou lesões.

No Brasil, foram estimados 17.600 casos em 2002, com 4 mil mortes, sendo que desse total 3.800 casos e 900 óbitos para a região Nordeste, com 900 registros na Bahia. Atualmente, 130 rapazes já receberam a primeira das três doses do medicamento contra o HPV, e a previsão é de que este número se estenda a 145 até o final deste mês.

A vacina protege contra quatro tipos de HPV – mais comuns e agressivos (existem mais de uma centena): o 6 e o 11, causadores de tumores benignos, e o 16 e 18, que provocam 90% dos casos de câncer de colo do útero – câncer feminino mais freqüente no Norte e Nordeste do País –, que causam cerca de 300 mil mortes por ano em todo o mundo. A Osid é a única instituição destas regiões a participar da pesquisa. Para desenvolver a pesquisa em parte da população feminina, foram destacados 14 centros no País. Já o grupo de homens foi imunizado em cinco centros nos seguintes estados: Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e dois em São Paulo.

O Brasil foi incluído na fase final do estudo, ao lado de Estados Unidos, Inglaterra, Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Islândia, México, Peru, Argentina e Colômbia, com um total de mais de cinco mil mulheres envolvidas na vacinação.

A ginecologista Nilma Antas Neves, membro da diretoria das sociedades Baiana e Brasileira de Patologia Cervical Uterina e Colposcopia, revela que a maioria das mulheres já teve contato com o papilomavírus humano, mas não necessariamente desenvolve a doença. O contágio ocorre 95% das vezes através das relações sexuais, podendo também vir a ser transmitido pelo contato com roupas íntimas, sabonetes e toalhas. A médica, que também atende no Centro Educacional de Oncologia – Cican e leciona na cadeira de ginecologia da Ufba – Universidade Federal da Bahia, no Hospital das Clínicas, aponta que já foram detectados, inclusive, casos de contaminação em camas de massoterapia e em saunas.

Apesar de ser grande o índice feminino de exposição ao HPV, apenas 10% das mulheres manifestam lesão e apenas 0,5% desenvolvem o câncer. “Muita gente fica assustada quando descobre que possui o HPV, com medo de que se torne um câncer”, alerta, ao ponderar que, quando diagnosticada, através do exame ginecológico preventivo, a lesão é curável. Nilma destaca, ainda, que é fundamental toda mulher realizar, ao menos uma vez por ano, o exame Papanicolau, que previne contra as doenças do colo uterino, dentre outros males.

Ao ser tratada, a lesão provocada pelo HPV pode acarretar a reversão de um quadro que, sem os cuidados adequados, poderia evoluir para um câncer. Entretanto, a eliminação do vírus não existe. “Em alguns raros casos, observamos que o próprio sistema imunológico da paciente eliminou o HPV”, completa Nilma Antas.

Segundo ela, existem duas formas de manifestação da doença: o provocado por condiloma (verrugas) – que não é pré-canceroso – e o causado por lesão no colo do útero (manchas brancas), que constitui um estado de pré-câncer. “Infelizmente, algumas mulheres só procuram o médico quando sentem ardência ou dor”, diz a ginecologista, ao informar que o condiloma não necessariamente dói ou arde, mas deve ser tratado.

“Para descobrir se algo vai errado, as mulheres devem realizar um auto-exame se observando com espelho, a fim de investigar se existe alguma alteração na parte externa da vagina (vulva)”, aconselha a médica. No entanto, ela lembra que a lesão uterina apenas é descoberta através de exame preventivo ginecológico.

Previsão de venda é para 2006

A vacina contra o HPV em mulheres – pesquisada e desenvolvida pelo laboratório Merck Sharp&Dome – deve ser lançada comercialmente no segundo semestre de 2006. A expectativa é que o período entre o início das pesquisas e o lançamento da vacina masculina, caso sejam também satisfatórios os resultados de combate ao vírus em homens, seja de quatro a cinco anos.

Quando se iniciar o período de venda da medicação feminina, o atendimento será feito, especificamente, em meninas de 10 a 12 anos, virgens, justamente para dar início a um processo de erradicação do vírus. Atualmente, as 283 participantes dos estudos do NAP/Osip estão em fase de acompanhamento médico, concluindo os trabalhos.

Já a investigação no sexo masculino teve início em maio deste ano, com o recrutamento de rapazes, através de divulgação na mídia, palestras em escolas, folderes informativos, atuação de agentes de saúde e do contato feito através das jovens que foram vacinadas, anteriormente. Foi comprovado que os papilomavírus causam lesões no pênis (condilomas ou verrugas) e também no ânus.

O urologista Marcelo Carvalho, um dos pesquisadores e co-investigadores do NAP/Osip, esclarece que os rapazes obedecem a um critério de seleção, que tem como um dos pré-requisitos já estar em atividade sexual, mas sem possuir histórico de doenças relacionadas à infecção pelo HPV.

Ele frisa que é fundamental se vacinar não apenas as mulheres jovens, mas também os homens, a fim de que os números de incidência da doença decresçam, futuramente, ano a ano. “Ainda faltam ser aplicadas mais duas doses nos rapazes e, por isso, ainda não podemos avaliar o cenário masculino, com dados mais precisos”. O urologista lembra que eles não apenas estão sendo imunizados, mas também estão ajudando a preservar suas parceiras. Os voluntários, após a fase de vacinação, serão acompanhados por mais dois anos pelos especialistas.

PRECONCEITO – O urologista Antônio Luiz Guimarães, e também co-investigador do NAP/Osip, defende que a maneira ideal de prevenção contra o HPV é a redução do número de parceiros. “Ao recrutarmos novos colaboradores, nós os advertimos que não basta a utilização da camisinha, pois o vírus se aloja em toda a região da genitália.” Ele frisa que a vacina não é eficaz para quem já tem ou teve o Papilomavírus, “a vacinação é preventiva”, complementa.

Ao iniciar a etapa de divulgação para os candidatos a voluntários, Antônio Luiz confessa ter tido receio quanto às resistências masculinas em serem atendidos por urologistas. “Nós achamos que o machismo de alguns poderia atrapalhar, mas fomos surpreendidos com um resultado positivo”, conta. O pesquisador revela que a Bahia é o Estado que conseguiu reunir o maior número de homens até o momento.

Mulher está mais exposta à contaminação

Estudos científicos mostram que a contaminação por HPV está associada a 85% dos casos de câncer de ânus, 50% dos casos de câncer de vulva, vagina e pênis, 20% dos casos de câncer de orofaringe e 10% dos casos de câncer de laringe. “É muito importante que os homens também sejam sensibilizados para combater o HPV, porque a mulher está muito exposta à contaminação e pode desenvolver o quadro mais grave da doença, que é o câncer de colo uterino”, alertou o infectologista Edson Moreira, coordenador do NAP/Osid, destacando a relevância da doença, que tem um efeito devastador nas camadas mais desassistidas da população.

O HPV é a mais comum das doenças sexualmente transmissíveis porque afeta a população de baixo risco para outras DSTs, é muito contagioso e pode ser transmitido mesmo quando não é visível ou após tratamento. Nos Estados Unidos, são identificados mais de um milhão de casos novos por ano, atingindo 50% das mulheres jovens, sendo que metade desse percentual é contaminado pelos tipos de alto risco para câncer de colo.

Recomendado para que seja feito anualmente, o Papanicolau ou preventivo é o método empregado para detectar o HPV, com 90% de sensibilidade. O exame foi capaz de reduzir em 50% a incidência de câncer de colo nos EUA e Europa, mas em países em desenvolvimento a cobertura através do preventivo é reduzida ou inexistente.

A Osid se credenciou para integrar o projeto pela qualidade da assistência médica prestada na Clínica da Mulher, que atende diariamente 350 mulheres e realiza 300 procedimentos e pelo estímulo à pesquisa científica das patologias mais freqüentes na população de baixa renda assistida pela instituição.

Jovens vencem preconceito

O estudante do Ensino Médio A.M.L., 20 anos, foi indicado pela namorada a participar do projeto de vacinação contra o papilomavírus humano. “Ela participou, há dois anos, e me explicou sobre a importância de eu também me imunizar contra esse vírus”, disse. Ontem, ele recebeu a primeira das três doses.

B.B.M.S., 19, estudante, também foi submetido, ontem, à primeira fase da medicação. “Fui trazido por A.M.L., meu amigo, que falou a respeito do assunto e eu considerei uma boa causa participar desta campanha”, opinou, dizendo que pretende funcionar como agente multiplicador da iniciativa junto a outros colegas da mesma faixa etária.

Os irmãos A.S.S., 17, e V.S.S., 16, estiveram ontem no NAP em companhia da mãe, H.S., comerciante. Ela contou que a iniciativa partiu dos filhos, que souberam do projeto, se interessaram e pediram sua autorização para participar. “Eu dei todo o apoio, porque é uma iniciativa muito importante para a saúde deles”, comentou H.S. ao revelar que assuntos ligados à sexualidade, drogas, violência entre outros temas polêmicos, são tratados com normalidade entre ela e seus filhos.

V.S.S. disse que participar do programa é importante também porque “se a gente tiver qualquer doença, fica sabendo.” O irmão, A.S.S. ainda não contou à namorada, mas diz que vai contar em breve, pois ela é “a principal interessada no assunto”, observa.

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