Seminário
do Projeto Somos discute ações de prevenção
entre o público GLBT
04/04/06
Os
rumos das intervenções de prevenção
às doenças sexualmente transmissíveis (DST),
ao HIV e à aids entre gays, lésbicas, transgêneros
e bissexuais (GLTB) foi o principal ponto de discussão do
primeiro dia do Seminário de Intervenção, Promoção
e Educação em Saúde do Projeto Somos. É
consenso entre os participantes do evento que as ações
voltadas para esse público específico precisam ser
reformuladas. “Estamos sendo repetitivos em algumas práticas.
Precisamos ampliar e diversificar as ações, para que
possamos melhorar a prevenção das DST e da aids nesse
segmento”, comenta Toni Reis, coordenador do Projeto Somos
e secretário-geral da Associação Brasileira
de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT).
O
Seminário, que começou ontem, em Brasília,
reúne cerca de 40 coordenadores e assistentes regionais do
Projeto e 11 representantes de redes nacionais e internacionais
que trabalham com aids. Também estão presentes membros
da Comissão Nacional de DST e Aids (CNAIDS) e da Comissão
de Gestão das Ações de DST e Aids (COGE), técnicos
do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde
e especialistas nos temas de promoção, vulnerabilidade
e intervenção.
Nesta
terça-feira (5/4), serão ouvidos os representantes
dos segmentos que são alvo do projeto: gays, lésbicas,
travestis, transexuais, transgêneros, bissexuais, profissionais
do sexo, soropositivos e pessoas que trabalham com redução
de danos entre usuários de drogas injetáveis. Na quarta-feira,
a programação segue discutindo a integração
do Projeto Somos com as diretrizes do Sistema Único de Saúde
(SUS), nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal).
Audiência
pública – Também na quarta, às
14h30, uma comissão dos participantes do Seminário
terá audiência pública no Congresso Nacional,
com representantes da Frente Parlamentar pela Livre Expressão
Sexual. O grupo pedirá que seja votado, em plenário,
o projeto de lei 5.003/2001, da deputada federal Iara Bernardi (PT-SP).
O projeto torna crime a homofobia e prevê punição
para quem discriminar pessoas por conta da orientação
sexual, assim como já acontece com o racismo.
No
Seminário, deverão ser elaboradas diretrizes sobre
como trabalhar a prevenção com gays, lésbicas,
transgêneros e bissexuais (GLTB). De acordo com Toni Reis,
a principal falha nas ações é a forma de abordagem,
considerando fatores como faixa etária e nível socioeconômico.
“Está claro que é preciso adotar estratégias
diferentes, porque o público GLTB é bastante heterogêneo”.
Segundo
Kátia Guimarães, assessora técnica da área
de Prevenção do PN-DST/AIDS, a última avaliação
do Projeto Somos, para o período de 2003 a 2005, mostrou
que o esquema de intervenção multifatorial, com distribuição
de materiais informativos e de preservativos em lugares de lazer
específicos para o público GLTB, permanece basicamente
o mesmo desde a primeira metade dos anos 90. “Por isso, nosso
maior desafio é fazer com que as ações abranjam
não somente as pessoas que vão a esses locais, mas
toda essa população específica”, avalia.
Histórico – O Projeto Somos é
desenvolvido pela ABGLT desde 1999, em parceria com o Programa Nacional
de DST e Aids. O principal objetivo do Somos é promover a
saúde e a prevenção das DST e do HIV/aids entre
os gays e outros homens que fazem sexo com homens. Atualmente, o
Projeto desenvolve ações em parceria com 310 organizações
da sociedade civil que trabalham a prevenção das DST
e da aids com o público GLTB. Essas organizações
estão presentes em 302 municípios, de todos os estados
do Brasil.
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