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SEXO ORAL X CÂNCER DE BOCA
Por Dr. Jorge Eurico Ribeiro – Twitter: @JorgeEurico

Salvador, Ba, 16/06/2010 - 11h47min

Embora ainda pouco conhecido pela população brasileira, o Papilomavirus Humano (HPV) se destaca como uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns no mundo, atinge mais de 630 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, uma em cada cinco mulheres é portadora do vírus. O Ministério da Saúde registra a cada ano 137 mil novos casos no país. Os especialistas brasileiros já chamavam a atenção para o desenvolvimento da doença, responsável por 90% dos casos de câncer de colo de útero. A infecção pelo HPV é a mais comum das doenças sexualmente transmissíveis (DST).

O HPV é o nome dado a um grupo que inclui mais de 100 tipos de vírus. A única forma visível da doença provocada por esse microrganismo é o condiloma, que são verrugas, também conhecidas como "crista de galo" ou “brinca”, que aparecem nas regiões genitais de homens e mulheres. É tradicionalmente ligado a câncer no pênis, ânus e colo do útero está sendo relacionado cada vez mais a tumores na boca. Os que atuam de maneira secreta podem produzir problemas mais sérios e levar ao câncer.

O Brasil é um dos líderes mundiais em incidência de HPV. As vítimas preferenciais são mulheres entre 15 e 25 anos, embora a doença também acometa os homens. Especialistas acreditam que o número menor de registros entre pessoas do sexo masculino tenha como origem a baixa procura dos homens por serviços de urologia, por fatores como o preconceito ou a falta de informação.

O HPV é transmitido pelo contato genital com a pessoa infectada (incluindo sexo oral) e por via sanguínea, de mãe para filho na hora do parto. Na maioria das vezes, a infecção é transitória e desaparece sem deixar vestígios. Por isso, quando se realiza o diagnóstico, não se consegue saber se a infecção é recente ou antiga. A doença viral pode permanecer sem se manifestar no corpo da pessoa.

No final de março, último, estudos novos sobre HPV e câncer começaram a ser publicados e estudos novos e antigos passaram a ser comentados em revistas científicas e sites médicos, principalmente ingleses e americanos. Tais publicações chamaram a atenção da mídia internacional por apresentarem que a incidência do carcinoma da orofaringe (boca, garganta, faringe) relacionados ao HPV tem sido crescente nos últimos anos, associando esse aumento a prática do sexo oral e do beijo francês (de língua). No último mês, tal repercussão ocupou espaços importantes, inclusive em jornais brasileiros de grande circulação, citando a prática do sexo oral como a causadora do rápido aumento de casos de câncer da boca e da faringe relacionados com o HPV.

Como evidência da crescente incidência de HPV relacionados com carcinoma de orofaringe, incluindo casos de câncer na base da língua, na amígdala e até em partes do pescoço, os pesquisadores citam e discutem diversos estudos, entre eles:

Em um estudo realizado em Estocolmo, na Suécia, encontraram um aumento progressivo na proporção de detecção do HPV em biópsias para diagnosticar o câncer de orofaringe: de 23,3% em 1970, para 93% entre 2006 e 2007.

Pesquisadores da Universidade do estado de Ohio, nos EUA, examinaram a associação entre os comportamentos sexuais e a presença de infecção oral por HPV em 332 adultos e 210 homens da universidade. O HPV oral foi encontrado em 4,8% dos adultos e em 2,9% dos estudantes universitários do sexo masculino. Os adultos tiveram uma chance significativamente maior de infecção oral por HPV se fumavam ou se tinham mais de 10 parceir@s na vida para sexo oral. Entre os homens, o risco de HPV oral aumenta se eles tiveram sexo oral recente com seis ou mais parceir@s ou beijando de boca aberta (de língua) com 10 parceiros em toda a vida ou pelo menos 5 recentes.

Numa outra análise de 8 estudos publicados recentemente, usaram dados obtidos de um grupo de 5.642 pacientes com câncer da cabeça e da garganta e compararam a 6.069 pessoas sem câncer (controles), e concluíram que o risco de desenvolver câncer de orofaringe foi associada com uma história de terem tido 6 ou mais parceiros sexuais na sua vida, ou mais de 4 parceiros que tiveram sexo oral, e entre os homens, a primeira relação sexual ter ocorrido precocemente.

Uma das razões para este aumento seria a transmissão sexual do HPV, principalmente através de relações sexuais orogenital (sexo oral). Em 2005, 55% dos garotos e 54% das garotas entre 15 e 19 anos já tinham experimentado sexo oral, segundo Estatísticas da Saúde dos EUA. A associação dos tumores de orofarínge relacionados ao HPV e o comportamento sexual incluem aqueles que fazem sexo oral e "beijo francês" (de língua), sendo o comportamento de risco mais forte o número dos parceiros de sexo oral. Os dados disponíveis sugerem que o aumento acentuado do HPV relacionado com o câncer de orofaringe é um resultado da revolução sexual dos anos 1960.

Esses efeitos são em grande parte impulsionado por mudanças sociais, e eles tendem a afetar pessoas que são mais jovens, porque elas são as que levam a mudanças comportamentais.

Durante a década de 1960, adolescentes e adultos jovens foram mais ativos sexualmente do que as gerações anteriores, e ter múltiplos parceiros sexuais se tornou “mais aceitável”. Quanto mais parceiros sexuais, maior é o risco de contrair alguma DST, incluindo o HPV.

O intervalo de tempo entre uma infecção oral por HPV e o desenvolvimento de câncer orofaríngeo relacionado ao HPV é entre 15 e 30 anos, e a idade em que este câncer é diagnosticado geralmente é de 50 anos ou mais. Assim, provavelmente o aumento desse câncer que foi visto nos anos 1990 e 2000 é provável que seja o resultado da participação dos jovens com atividade sexual aumentada nos anos 1960 e 1970. Os números oficiais apontam para uma queda de cânceres de cabeça e pescoço, dos quais se registram 640 mil novos casos anuais no mundo, com a exceção do carcinoma orofaríngeo, cujo nível aumentou de maneira importante, especialmente no mundo desenvolvido.

Uma vacina contra o HPV já é comercializada para uso em meninas e mulheres jovens para prevenir o câncer cervical, e foi recentemente aprovado para uso em meninos para prevenir as verrugas genitais. Com isso, tem havido especulações sobre se esta vacina também protege contra o câncer de horofaringe relacionado ao HPV. Como esse tipo de câncer está principalmente associado com o HPV tipo 16, e este é um dos tipos de vírus que as vacinas contêm, poderia a vacina ser eficaz. Se as vacinas atualmente disponíveis contra o HPV têm o potencial de prevenir infecções orais pelo HPV e assim poderiam inverter a atual evolução da incidência de câncer de orofaringe documentado nos Estados Unidos, Reino Unido e a Suécia, é uma questão importante e ainda sem resposta. A vacinação contra o HPV dos meninos foi julgada para não ser custo-efetivo em uma análise recente, mas essa decisão foi tomada com base em dados antigos, que vão até 2003, mas tem havido um aumento considerável de casos, que a partir de 2009 que sugerem que cerca de 70% de câncer orofaríngeo são HPV-positivos.

A vacina quadrivalente contra o HPV é a única que protege contra quatro tipos do HPV (6, 11, 16 e 18). Atualmente é indicada, no Brasil, para meninas e mulheres de 9 a 26 anos, para a prevenção de cânceres de colo do útero, de vulva e de vagina causados pelo HPV tipos 16 e 18, das verrugas genitais provocadas pelo HPV tipos 6 e 11 e das lesões pré-câncerosas causadas pelo HPV tipos 6, 11, 16 e 18. O HPV tipos 16 e 18 é responsável por aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo do útero, sendo que o HPV tipos 6 e 11 causa aproximadamente 90% das verrugas genitais e cerca de 10% das lesões de baixo grau do colo do útero.

O sexo oral já era conhecido por estar associado com faringite gonocócica, uma infecção sexualmente transmissível das amídalas e da parte posterior da garganta, pela bactéria que causa a gonorréia. Os dados discutidos sugerem que a infecção oral pelo HPV pode predispor ao câncer 32 vezes mais em comparação com aqueles sem HPV!

Higiene no sexo oral:

Use de CAMISINHA SEMPRE!

 

 

 


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