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SEXO ORAL X CÂNCER DE BOCA Salvador, Ba, 16/06/2010 - 11h47min O HPV é o nome dado a um grupo que inclui mais de 100 tipos de vírus. A única forma visível da doença provocada por esse microrganismo é o condiloma, que são verrugas, também conhecidas como "crista de galo" ou “brinca”, que aparecem nas regiões genitais de homens e mulheres. É tradicionalmente ligado a câncer no pênis, ânus e colo do útero está sendo relacionado cada vez mais a tumores na boca. Os que atuam de maneira secreta podem produzir problemas mais sérios e levar ao câncer. O Brasil é um dos líderes mundiais em incidência de HPV. As vítimas preferenciais são mulheres entre 15 e 25 anos, embora a doença também acometa os homens. Especialistas acreditam que o número menor de registros entre pessoas do sexo masculino tenha como origem a baixa procura dos homens por serviços de urologia, por fatores como o preconceito ou a falta de informação. O HPV é transmitido pelo contato genital com a pessoa infectada (incluindo sexo oral) e por via sanguínea, de mãe para filho na hora do parto. Na maioria das vezes, a infecção é transitória e desaparece sem deixar vestígios. Por isso, quando se realiza o diagnóstico, não se consegue saber se a infecção é recente ou antiga. A doença viral pode permanecer sem se manifestar no corpo da pessoa. No final de março, último, estudos novos sobre HPV e câncer começaram a ser publicados e estudos novos e antigos passaram a ser comentados em revistas científicas e sites médicos, principalmente ingleses e americanos. Tais publicações chamaram a atenção da mídia internacional por apresentarem que a incidência do carcinoma da orofaringe (boca, garganta, faringe) relacionados ao HPV tem sido crescente nos últimos anos, associando esse aumento a prática do sexo oral e do beijo francês (de língua). No último mês, tal repercussão ocupou espaços importantes, inclusive em jornais brasileiros de grande circulação, citando a prática do sexo oral como a causadora do rápido aumento de casos de câncer da boca e da faringe relacionados com o HPV. Como evidência da crescente incidência de HPV relacionados com carcinoma de orofaringe, incluindo casos de câncer na base da língua, na amígdala e até em partes do pescoço, os pesquisadores citam e discutem diversos estudos, entre eles: Em um estudo realizado em Estocolmo, na Suécia, encontraram um aumento progressivo na proporção de detecção do HPV em biópsias para diagnosticar o câncer de orofaringe: de 23,3% em 1970, para 93% entre 2006 e 2007. Pesquisadores da Universidade do estado de Ohio, nos EUA, examinaram a associação entre os comportamentos sexuais e a presença de infecção oral por HPV em 332 adultos e 210 homens da universidade. O HPV oral foi encontrado em 4,8% dos adultos e em 2,9% dos estudantes universitários do sexo masculino. Os adultos tiveram uma chance significativamente maior de infecção oral por HPV se fumavam ou se tinham mais de 10 parceir@s na vida para sexo oral. Entre os homens, o risco de HPV oral aumenta se eles tiveram sexo oral recente com seis ou mais parceir@s ou beijando de boca aberta (de língua) com 10 parceiros em toda a vida ou pelo menos 5 recentes. Numa outra análise de 8 estudos publicados recentemente, usaram dados obtidos de um grupo de 5.642 pacientes com câncer da cabeça e da garganta e compararam a 6.069 pessoas sem câncer (controles), e concluíram que o risco de desenvolver câncer de orofaringe foi associada com uma história de terem tido 6 ou mais parceiros sexuais na sua vida, ou mais de 4 parceiros que tiveram sexo oral, e entre os homens, a primeira relação sexual ter ocorrido precocemente. Uma das razões para este aumento seria a transmissão sexual do HPV, principalmente através de relações sexuais orogenital (sexo oral). Em 2005, 55% dos garotos e 54% das garotas entre 15 e 19 anos já tinham experimentado sexo oral, segundo Estatísticas da Saúde dos EUA. A associação dos tumores de orofarínge relacionados ao HPV e o comportamento sexual incluem aqueles que fazem sexo oral e "beijo francês" (de língua), sendo o comportamento de risco mais forte o número dos parceiros de sexo oral. Os dados disponíveis sugerem que o aumento acentuado do HPV relacionado com o câncer de orofaringe é um resultado da revolução sexual dos anos 1960. Esses efeitos são em grande parte impulsionado por mudanças sociais, e eles tendem a afetar pessoas que são mais jovens, porque elas são as que levam a mudanças comportamentais. Durante a década de 1960, adolescentes e adultos jovens foram mais ativos sexualmente do que as gerações anteriores, e ter múltiplos parceiros sexuais se tornou “mais aceitável”. Quanto mais parceiros sexuais, maior é o risco de contrair alguma DST, incluindo o HPV. O intervalo de tempo entre uma infecção oral por HPV e o desenvolvimento de câncer orofaríngeo relacionado ao HPV é entre 15 e 30 anos, e a idade em que este câncer é diagnosticado geralmente é de 50 anos ou mais. Assim, provavelmente o aumento desse câncer que foi visto nos anos 1990 e 2000 é provável que seja o resultado da participação dos jovens com atividade sexual aumentada nos anos 1960 e 1970. Os números oficiais apontam para uma queda de cânceres de cabeça e pescoço, dos quais se registram 640 mil novos casos anuais no mundo, com a exceção do carcinoma orofaríngeo, cujo nível aumentou de maneira importante, especialmente no mundo desenvolvido. Uma vacina contra o HPV já é comercializada para uso em meninas e mulheres jovens para prevenir o câncer cervical, e foi recentemente aprovado para uso em meninos para prevenir as verrugas genitais. Com isso, tem havido especulações sobre se esta vacina também protege contra o câncer de horofaringe relacionado ao HPV. Como esse tipo de câncer está principalmente associado com o HPV tipo 16, e este é um dos tipos de vírus que as vacinas contêm, poderia a vacina ser eficaz. Se as vacinas atualmente disponíveis contra o HPV têm o potencial de prevenir infecções orais pelo HPV e assim poderiam inverter a atual evolução da incidência de câncer de orofaringe documentado nos Estados Unidos, Reino Unido e a Suécia, é uma questão importante e ainda sem resposta. A vacinação contra o HPV dos meninos foi julgada para não ser custo-efetivo em uma análise recente, mas essa decisão foi tomada com base em dados antigos, que vão até 2003, mas tem havido um aumento considerável de casos, que a partir de 2009 que sugerem que cerca de 70% de câncer orofaríngeo são HPV-positivos. A vacina quadrivalente contra o HPV é a única que protege contra quatro tipos do HPV (6, 11, 16 e 18). Atualmente é indicada, no Brasil, para meninas e mulheres de 9 a 26 anos, para a prevenção de cânceres de colo do útero, de vulva e de vagina causados pelo HPV tipos 16 e 18, das verrugas genitais provocadas pelo HPV tipos 6 e 11 e das lesões pré-câncerosas causadas pelo HPV tipos 6, 11, 16 e 18. O HPV tipos 16 e 18 é responsável por aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo do útero, sendo que o HPV tipos 6 e 11 causa aproximadamente 90% das verrugas genitais e cerca de 10% das lesões de baixo grau do colo do útero. O sexo oral já era conhecido por estar associado com faringite gonocócica, uma infecção sexualmente transmissível das amídalas e da parte posterior da garganta, pela bactéria que causa a gonorréia. Os dados discutidos sugerem que a infecção oral pelo HPV pode predispor ao câncer 32 vezes mais em comparação com aqueles sem HPV! Higiene no sexo oral: Use de CAMISINHA SEMPRE!
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