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Castro Alves realiza Conferência Gay no último domingo
Por Redação
SALVADOR, BA, 7/04/08 - O município de Castro Alves, cerca de 150 km partindo de Salvador pela BR 324, domingo 6 de abril foi palco da I Conferência Territorial dos Direitos dos Gays, Lésbicas, Bissexuais e Travestis. O evento teve a finalidade de preparar os homossexuais do Recôncavo e Vale do Jiquiríçá para a I Conferencia Gay que acontece em Salvador nas instalações do Instituto Anísio Teixeira ainda neste mês de abril. Cerca de oitenta pessoas de várias orientações sexuais participaram do evento que teve inicio às 10hs no Colégio Polivalente de Castro Alves, terminando suas atividades às 17hs com apresentação da FANCEP, Fanfarra local. Em se tratando de um evento do gênero, imagina-se que o Colégio Poli foi uma animação só, e foi mesmo. A voz mecânica da baiana Maria Bethânia bradava inspirando artistas de última hora exercer sua veia artista. A cerimônia de abertura contou com a execução do hino nacional, seguido da composição da mesa de boas vindas com a presença de líderes homossexuais, representante do governo municipal, Secretaria de Cidadania, Justiça e Direitos Humanos e um representante do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores. Após a leitura do regimento interno da Conferência os homossexuais e simpatizantes se dividiram nos grupos de trabalhos e seguiram até o inicio da tarde com uma pausa para o almoço que foi servido pela organização local. Temas como saúde, direitos, legislação e acesso a cultura foram amplamente debatidos pelos membros dos grupos. As propostas retiradas foram lidas e aprovadas na plenária. A exceção veio para uma proposta que indicava a criação de banheiro especial para travestis e transexuais, recusada pela plenária por entender que esse espaço deve ser compartilhado com as mulheres. “As travestis e transexuais não oferecem nenhum risco as mulheres. Elas entram no box se fecham e pronto” disse uma das outra militante local. O evento teve a entusiástica participação de Waldir Jubiabá, presidente do Grupo Gay de Castro Alves, Cavalheiros de Shangrila com apoio e participação de Claudia Café membro da Comissão Estadual da I Conferência. Presidente do GGB fala sobre direito a Cultura na Conferência Redação do Site do GGB O presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Marcelo Cerqueira, foi o facilitador do Grupo de Trabalho que abordou o acesso a Cultura pelos homossexuais na I Conferência Territorial em Castro Alves, regional do Recôncavo e Vale do Jiquiríçá, nesse último domingo 6. Cerqueira fez uma distinção entre cultura tribal e cultura erudita. Ressaltou para inicio dos trabalhos que cultura é toda transformação consciente realizada pelo homem em momentos históricos definidos. Tudo o que é aprendido e partilhado pelos indivíduos de um determinado grupo e que confere uma identidade dentro do seu grupo de pertencimento. Não existem culturas superiores, nem culturas inferiores, pois a cultura é relativa. Nesse relativismo, Cerqueira destacou conhecimentos, crenças, arte, valores morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade que vive. “Toda cultura é boa e ideal para os membros daquele grupo que produziu”, disse Cerqueira, destacando que existe sim uma cultura homossexual na sociedade. “Os homossexuais são fascinantes criadores culturais, moda, linguagem, gestual este último cultura imaterial que deve ser preservada e garantida como patrimônio desse segmento discriminado”, conclui. Cerqueira em sua palestra contradiz o filosofo Michel Foucault que segundo ele antes não havia nenhuma cultura homossexual a qual se resumia a prática do sexo anal. Foucault acredita que somente a partir da criação do termo homossexual em 1869 é que começa existir o germe de uma identidade homossexual, conseguinte uma subcultura. Contrário ao pensador francês Luiz Mott pesquisador homossexual fundador do GGB encontrou documentos com aspectos reveladores de uma subcultura gay no Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Portugal. Documentos indicam que na Bahia, o negro Francisco Manicongo, em 1591, usava uma túnica com faixas na frente, recusando a roupa de homem que lhe dava seu senhor. Em 1680, o jovem Doroteu Antunes, "amante" de um comerciante de fumo, usava um calção com fitas de seda multicoloridas. Aspectos da subcultura gay no Brasil antigo. Já na atualidade não aspectos como as transformações no corpo, nas roupas, no gestual da desmunhecação, nas jóias, na fala, na literatura, cinema, balé e no teatro. Ainda a variedade dentro do estilo de vida como assumido, enrustido, urso, cluber, sado, couro entre tantos outros. Tudo isso deve ser preservado porque remete a um segmento relativamente frágil e deve ter seus valores culturais e simbólicos garantidos.
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