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Ícone dos anos 80
Luciano Rodrigues, revista Perfil Salvador, 28/07/09
Na intensa rivalidade entre Rio de Janeiro e São Paulo que permeava os anos 80, Thelma Lipp foi a resposta paulistana ao surgimento da delícia carioca Roberta Close. Na época, diziam que as duas disputavam o posto de mulher mais bonita do Brasil – mesmo tendo nascido biologicamente do sexo masculino. Beleza e ascensão Em pouco tempo, Thelma – ou Deodoro Ricardo, ex-coroinha que gostava de se vestir de mulher desde os 15 anos – saiu das boates gays para alcançar a capa da maior revista masculina do País, a Playboy, ao lado de Betty Faria, em 1984. Depois, passou a fazer parte do cast de jurados de um dos mais tradicionais programas de tevê dos anos 80, o Clube do Bolinha, na Bandeirantes. Thelma participava do quadro “Eles e Elas”, comandado pelo saudoso apre-sen-tador Edson “Bolinha” Cury. Pronto: tornou-se figura fácil nas capas de revista de todo o Brasil! Sua beleza era tamanha que, em 1987, dois cineastas suíços vieram ao País filmar um documentário sobre a vida das travestis em São Paulo. Dentre as dezenas de entrevistadas, ela se destacou e serviu de inspiração para o longa-metragem Thelma, feito na Grécia e lançado em 2001, sobre um homem apaixonado por uma transexual. O problema com as drogas Os que não viveram os anos 80 não podem imaginar o tamanho do sucesso de Roberta Close. No entanto, como em quase todas as biografias existentes, a fama traz alguns problemas consigo. Com o declínio de sua carreira, a partir de 1995, Thelma Lipp fez das drogas uma companhia constante. Por pouco, a dependência de cocaína e crack não levou também sua vida. Chegou ao fundo do poço – mais precisamente, à chamada “Cracolândia”, quadrilátero na região central de São Paulo em que traficantes e dependentes comercializam e consomem drogas de todos os tipos. Gastou boa parte do patrimônio que havia adquirido durante os anos 80. Todas as jóias, seu carro e sua moto foram vendidos devido à dependência. Quando o dinheiro acabou, Thelma passou a se prostituir e sair com traficantes em troca de cocaína. Mesmo assim, ela lutava para retomar a carreira. Sua ressurreição poderia ter acontecido em 2001, quando foi convidada a fazer o papel da travesti Lady Di no filme Carandiru, de Hector Babenco – mas, ao que parece, o preconceito por ela ser trans falou mais alto, e a morena foi substituída pelo ator Rodrigo Santoro. Thelma demorou anos para conseguir se livrar completamente da dependência química. Nessa luta, contou com a ajuda do deputado estadual Edson Ferrarini (PTB) e seu Programa para Dependentes Químicos, em uma clínica em Atibaia, interior de São Paulo. Tornou-se militante do movimento antidrogas e ressurgiu nos palcos de teatro de São Paulo e em aparições na televisão. Pequenos papéis, mas que deixavam transparecer que ela não havia chegado até ali sem méritos: tinha talento. Thelma contava 42 anos quando faleceu, na véspera do Natal de 2004, de insuficiência pulmonar causada por uma neurotoxoplasmose, segundo Claudia Wonder, tema de nossa última revista, no livro Olhares de Claudia Wonder: crônicas e outras histórias – e o Brasil ficou menos bonito. Ascensão e glória de Thlema Lipp são semelhantes à Gia Carangi SALVADOR, 29/07/09 – Thelma Lipp foi um fenômeno dos anos 80. Quem de fato não teve acesso acompanhar a quantidade de tinta que a imprensa escrita derramou em louvor a celebridade não é capaz hoje de imaginar tamanha a expressão do fenômeno Thelma Lipp e conseguinte, sua amiga transexual Roberta Close. A vida de Thelma pode ser comparada em proporções consideradas a Top model babado Gia Carangi, modelo que deu possibilitou toda essa explosão das famosas modelos internacionais. Gia foi à primeira mulher famosa a morrer por causa da Aids, depois do vício em heroína e cocaína, em 18 de novembro de 1986. Uma modelo de personalidade forte, uma atriz espetacular, uma mulher que marcou a sua história personificada na pele de Angelina Jolie no cinema.
Thelma ainda falta quem se interesse por levar sua história ao cinema. Ela morreu por complicações pulmonares em dezembro de 2004, com cerca de 40 anos. Thelma, conta populares que seria o travesti Ladi Di do filme Carandiru, a mudança repentina no elenco cedendo lugar a Rodrigo Santoro teria lhe causado grande decepção e assim, resolveu escolher uma vida longe das câmaras. Veja o filme Gia, abaixo, interpretado pela outra também top Angelina Jolie. (Redação do site do GGB) GGB).http://www.youtube.com/watch?v=0ux_8Ig_A_U
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