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Militância
Editoria local
SALVADOR, 28/01/09 Desde 2001, 29 de janeiro, tornou-se o DIA DA VISIBILIDADE TRAVESTI. A data comemora uma campanha publicitária lançada nacionalmente pelo Ministério da Saúde, “Travesti e Respeito”, estimulando a sociedade brasileira a reconhecer travestis e transexuais como dignas de usufruir plenos direitos de cidadania. Entre estes direitos, o mais elementar: serem tratadas como querem, no feminino. O politicamente correto é dizer “a travesti” e não “o travesti”, muito menos “traveco”, pois é assim que elas querem ser chamadas. As travestis representam a minoria social mais estigmatizada da sociedade brasileira: expulsas de casa, humilhadas na escola, apartadas do mercado de trabalho. Estima-se que devam existir no Brasil por volta de 40 mil travestis e transexuais, 90% vivendo como profissionais do sexo. Na Bahia devem ultrapassar mil indivíduos, mais de 300 em Salvador. Rara é a cidade, mesmo as menores, que não tenha uma ou duas travestis atendendo clientes na “pista”. Nos jornais, nos anúncios de encontros eróticos, apresentam-se como “bonecas”, geralmente listando seus atributos mais procurados pelos clientes, em sua maioria homens bissexuais. Travestis e transexuais famosas têm merecido aplausos nos palcos e televisões: Rogéria, Valéria, Roberta Close, Telma Lipp. No ano passado, o jogador Ronaldo Fenômeno envolveu-se num nebuloso escândalo com travestis, até hoje sem resultado da justiça. Salvador elegeu sua primeira vereadora transexual, a dançarina Leo Kret, já existindo, na cidade de Colônia do Piauí uma travesti ocupando o cargo de vice-prefeita, Katia Tapety. Desde 1992 existe a ANTRA (Articulação Nacional de Travestis), que congrega mais de cinqüenta grupos organizados. Neste 29 de janeiro, em todas as capitais e principais cidades brasileiras, estarão sendo realizadas manifestações, debates e exposições em comemoração ao Dia das Travestis. Entre as principais reivindicações do segmento estão o respeito ao nome social feminino nas listas de chamada nas escolas, firmas, hospitais, etc. A travesti Milena Passos, Presidenta a Associação de Travestis de Salvador (ATRAS) lembra também da urgência de “políticas de saúde específicas para prevenção de DST/Aids, com campanhas de esclarecimento sobre uso de silicone e hormônio e capacitação da polícia para tratamento mais humano às profissionais do sexo. Cidadania não tem roupa certa, e travesti também é cidadã!”. Segundo Keila Simpson, Presidente da ANTRA, “o principal problema enfrentado pelas travestis é a violência e os assassinatos. Toda semana a imprensa divulga casos de travestis que foram espancadas, roubadas, outras vezes, acusadas de extorsão dos clientes.” Segundo pesquisa realizada pelo Grupo Gay da Bahia, entre 1980-2008 foram assassinadas 780 travestis e transexuais em nosso país, uma média de um homicídio a cada 10 dias. Em 2008 foram assassinadas no Brasil 51 travestis, um aumento de 55% em relação ao ano anterior (33 mortes). Os estados mais “travestifóbicos” tem sido São Paulo, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás e Bahia. Crimes contra travestis profissionais do sexo são cometidos predominantemente na rua, “na pista”, altas horas da madrugada, utilizando-se armas de fogo e em menor número, arma branca e espancamento. Muitos dos assassinos alegam “legitima defesa da honra” e vingança por roubo ou por transmissão da Aids. Em Salvador, neste dia 29 de janeiro, Dia da Travesti, serão realizadas exposições de fotografia e cartazes nas arcadas da Câmara Municipal e na sede do Grupo Gay da Bahia. Uma lona branca estará à disposição dos transeuntes para deixarem sua opinião sobre travestis. “Esperamos que sejam mensagens positivas”, diz a Presidenta das Transexuais de Salvador.
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