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Militância

Dia das Travestis: 29 de janeiro
Editoria local


Legenda: ensaio fotográfico do GGB em 1985, cartaz Mulher Maravilha Travesti, manifestação de travestis frente a Policia Comunitaria na Pituba 1997, Claudia Ramos e Silvinha Dalas da Associação de Travestis de Salvador (ATRAS).

 

SALVADOR, 28/01/09 Desde 2001, 29 de janeiro, tornou-se  o DIA DA VISIBILIDADE TRAVESTI. A data comemora uma campanha publicitária lançada nacionalmente pelo Ministério da Saúde, “Travesti e Respeito”, estimulando  a sociedade brasileira a reconhecer travestis e transexuais como dignas de usufruir plenos direitos de cidadania. Entre estes direitos, o mais elementar: serem tratadas como querem, no feminino. O politicamente correto é dizer “a travesti” e não “o travesti”, muito menos “traveco”, pois é assim que elas querem ser chamadas.

As travestis representam a minoria social mais estigmatizada da sociedade brasileira: expulsas de casa, humilhadas na escola, apartadas do mercado de trabalho. Estima-se que devam existir no Brasil por volta de 40 mil travestis e transexuais,  90% vivendo como profissionais do sexo. Na Bahia devem ultrapassar mil indivíduos, mais de 300 em Salvador. Rara é a cidade, mesmo as menores, que não tenha uma ou duas travestis atendendo clientes na “pista”. Nos jornais, nos anúncios de encontros eróticos, apresentam-se como  “bonecas”, geralmente listando seus atributos mais procurados pelos clientes, em sua maioria homens bissexuais.

Travestis e transexuais famosas têm merecido aplausos nos palcos e televisões: Rogéria, Valéria, Roberta Close, Telma Lipp. No ano passado, o jogador Ronaldo Fenômeno envolveu-se num nebuloso escândalo com travestis, até hoje sem resultado da justiça. Salvador elegeu sua primeira vereadora transexual, a dançarina Leo Kret, já existindo, na cidade de Colônia do Piauí uma travesti ocupando o cargo de vice-prefeita, Katia Tapety.  Desde 1992 existe a ANTRA (Articulação Nacional de Travestis), que congrega mais de cinqüenta grupos organizados.

Neste 29 de janeiro, em todas as capitais e principais cidades brasileiras, estarão sendo realizadas manifestações, debates e exposições em comemoração ao Dia das Travestis.  Entre as principais reivindicações do segmento estão o respeito ao nome social feminino nas listas de chamada nas escolas, firmas, hospitais, etc. A travesti Milena Passos, Presidenta a Associação de Travestis de Salvador (ATRAS) lembra também da urgência de “políticas de saúde específicas para prevenção de DST/Aids, com campanhas de esclarecimento sobre uso de silicone e  hormônio e capacitação da polícia para tratamento mais humano às profissionais do sexo. Cidadania não tem roupa certa, e travesti também é cidadã!”.

Segundo Keila Simpson, Presidente da ANTRA, “o principal problema enfrentado pelas travestis é a violência e os assassinatos. Toda semana a imprensa divulga casos de travestis que foram espancadas, roubadas, outras vezes, acusadas de extorsão dos clientes.” Segundo pesquisa realizada pelo Grupo Gay da Bahia, entre 1980-2008 foram assassinadas 780 travestis e transexuais em nosso país, uma média de um homicídio a cada 10 dias. Em 2008 foram assassinadas no Brasil  51 travestis, um aumento de 55% em relação ao ano anterior (33 mortes).

Os estados mais “travestifóbicos” tem sido São Paulo, Pernambuco, Paraná,  Rio de Janeiro, Goiás e Bahia. Crimes contra travestis profissionais do sexo são cometidos predominantemente na rua, “na pista”, altas horas da madrugada, utilizando-se armas de fogo e em menor número, arma branca e espancamento. Muitos dos assassinos alegam “legitima defesa da honra” e vingança por roubo ou por  transmissão da Aids.

Em Salvador, neste dia 29 de janeiro, Dia da Travesti, serão realizadas exposições de fotografia e cartazes nas arcadas da Câmara Municipal e na sede do Grupo Gay da Bahia. Uma lona branca estará à disposição dos transeuntes para deixarem sua opinião sobre travestis. “Esperamos que sejam mensagens positivas”, diz a Presidenta das Transexuais de Salvador.


Para maiores informações: Keila ou Milena  3322-2552, 3328-3782
Exposição “Travestis da Bahia, do Brasil e do Mundo”.
Sede do GGB, Rua Frei Vicente, 24 – Pelourinho  - 3321-1848
(de 27/1 a 27/2, horário comercial).

 

 


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