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Troféu Xica Manicongo homenageia personalidades na Casa de Cultura Laura Alvim no Rio
MARCELO CERQUEIRA


Ilustraçcao Xica Manucingo

 

RIO, 5/03/2010O prêmio de Direitos Humanos, Cultura e Promoção da Cidadania de Travestis e Transexuais acontece no próximo dia 9/3 (terça-feira) às 20h30. Entrada franca
 
Muitos devem estar se perguntando o porquê de um nome, no mínimo, tão curioso. O tema foi escolhido pela Associação das Travestis e Transexuais do Rio de Janeiro (ASTRA-Rio) que quer apresentar a importante e desconhecida figura de Francisco Manicongo, que neste prêmio é chamado pelo seu nome social: Xica Manicongo. Xica foi a primeira travesti não-índia do Brasil, escrava de um sapateiro de Salvador em 1591, símbolo de luta e resistência de uma época em que negar o sexo era tido como heresia e digno de punição.
 
“Xica foi denunciada à inquisição por recusar-se a usar roupas masculinas e a atender por seu nome de batismo. A história dela é mais um exemplo da presença de travestis e transexuais em toda a história do Brasil e é, sem dúvida, a mais legítima representação de afirmação político-social na luta pelo reconhecimento da identidade além do biológico”, explica a presidente da ASTRA-Rio, Majorie Marchi.
 
Dentre os homenageados da noite encontra-se o estilista Carlos Tufvesson, que ganhará o troféu na categoria Parceiro-Trans. “Fui batizado militante na pia da ASTRA-Rio. Tenho um carinho imenso por essas meninas”, orgulha-se Tufvesson. Também ganharão troféu a UNAIDS, pela campanha “Igual a Você”, na categoria Visibilidade Positiva; Divinas Divas, como Melhor Espetáculo Cultural; Damas em Cena, do Instituto do Ator, como Projeto do Ano; a atriz-trans Fabiana Brazil; entre outros.
 
O Troféu Xica Manicongo faz parte do mês da Visibilidade Trans e é realizado pela ASTRA-Rio, com o apoio da Superintendência de Direitos Individuais Coletivos e Difusos da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
 

Antropólogo Luiz Mott parabeniza entidade pela escolha

De Salvador o antropólogo Luiz Mott, pesquisador que descobriu a figura histórica de Francisco Manicongo que jogava pedra em quem lhe chamasse pelo nome de batismo comemorou de sua casa nos Barris a escolha da entidade do nome da personagem real da Bahia para o premio. “Fico muito feliz, como intelectual orgânico que sempre fui, em ver personagens por mim descobertos nos arquivos, serem apropriados e elevados à condição de ícones e heróis por grupos da sociedade civil” declarou o antropólogo em nota divulgada pela internet. Mott já desvendou para o mundo outros ícones como FELIPA DE SOUZA, lésbica perseguida pela Inquisição na Bahia (1591), que se tornou titular do premio internacional de direitos humanos da ILGHRC de NY. O mesmo com Esperança Garcia, escrava do Piauí que em 1747 escreveu uma petição ao governador denunciando os maus tratos de seu feitor, e tornou-se a data desta carta, “Dia Estadual da Consciência Negra do Piauí”.

Agora com Francisco Manicongo, rebatizado pela brilhante Marjorie Marchin  da Astra/Rio, como Xica Manicongo, titular do Troféu de Direitos Humanos e Cidadania das travestis do Rio de Janeiro. Confira a sua biografia tal qual Mott reproduziu no seu livro.

FRANCISCO MANICONGO (1591)
Escravo de Antônio Pires, sapateiro, morador abaixo da Misericórdia de Salvador.

Denunciou Matias Moreira, cristão-velho de Lisboa que  Francisco Manicongo “tem fama entre os negros desta cidade que é somítigo e depois de ouvir esta fama, viu ele com um pano cingido, assim como na sua terra do Congo trazem os somítigos. Mais disse que ele denunciante sabe que em Angola e Congo, nas quais terras tem andado muito tempo e tem muita experiência  delas, é costume entre os negros gentios trazerem um pano cingido com as pontas por diante que lhe fica fazendo uma abertura diante, os negros somítigos que no pecado nefando servem de mulheres pacientes, aos quais chamam na língua de Angola e Congo quimbanda, que quer dizer somítigos pacientes”.

E tendo o lisboeta visto ao cativo Manicongo trazer a veste dos quimbandas “logo o repreendeu disso e o dito Francisco lhe respondeu que ele não usasse de tal e o repreendeu também porque não trazia o vestido de homem que lhe dava seu senhor, dizendo-lhe que em ele não querer trazer o vestido de homem mostrava ser somítigo pois também trazia o dito pano do dito modo. E depois o tornou ainda duas ou 3 vezes a ver nesta cidade com o dito pano cingido e o tornou a responder, e já agora anda vestido em vestido de homem.”

(Primeira Visitação, Denunciações da Bahia,  p. 406-407; Mott,  “Relações raciais entre homossexuais no Brasil Colonial”, Revista de Antropologia da USP, vol. 35, 1992, p.169-190 ( MARCELO CERQUEIRA com informações da ASTRA/RJ)

 

 


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