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Turismo gay-friendly
Estado aposta no segmento GLS para incrementar turismo
Por Redação

 

Secretário do Turismo Domingos Leonelli ao lado da presidente da Bahiatursa professora Emilia Salvador “O setor não pode aceitar esta realidade. Nossa iniciativa de capacitar os profissionais de turismo segue na direção de ampliar o grau de civilidade. Faremos um esforço de qualificar a estrutura turística, para receber com dignidade - expresso no tratamento igualitário”, disse o Secretário Leonelli.

Como confirmado na reserva, devo disponibilizar um quarto de casal para vocês?” Em uma recepção de hotel, a pergunta parece ser corriqueira. Mas, quando dividem o balcão um funcionário sem jeito e uma dupla do mesmo sexo, a situação pode ser constrangedora.

De olho nesse mercado, o governo baiano está oferecendo capacitação para profissionais do setor turístico.

A intenção é fortalecer e preparar a Bahia como um destino gay-friendly - ou seja aberto e receptivo aos homossexuais.

O segmento movimenta US$ 54 bilhões por ano, apenas nos Estados Unidos. O caminho a ser percorrido é longo. Soma-se ao preconceito uma posição nada confortável: a Bahia está atrás apenas de Pernambuco no ranking de assassinatos de homossexuais no país - com 24 dos 187 mortos em 2008, segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB).

Para o secretário de Turismo, Domingos Leonelli, o trabalho com o setor turístico pode também ajudar a ampliar conceitos como respeito à diferença e equidade.“O setor não pode aceitar esta realidade. Nossa iniciativa de capacitar os profissionais de turismo segue na direção de ampliar o grau de civilidade. Faremos um esforço de qualificar a estrutura turística, para receber com dignidade - expresso no tratamento igualitário”, explicou Leonelli.

Uma primeira turma, composta por recepcionistas, camareiras, porteiros, manobristas, mensageiros, seguranças e proprietários de estabelecimentos, está recebendo orientações práticas sobre como evitar embaraços ou mal entendido - além de aulas teóricas sobre turismo, qualidade no atendimento, equidade e diversidade.
“O mercado está preparado e tem profissionais que atendem com cortesia. Mas algumas pessoas não estão habituadas a encontrar casais gays com autoestima. O grande lance é não ter o comportamento individual. Na empresa, no hotel, o gay deve ser visto como cliente, como consumidor com os mesmos direitos dos demais”, explicou o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, que considera as estatísticas constrangedoras.

Embora o estado esteja começando a capacitação, ainda falta material específico, como um guia oficial para o público GLS - disponível em cidades como São Paulo.
“Funcionários e proprietários de estabelecimentos do trade turístico têm que se sentir responsáveis por essa clientela. Saber a melhor forma de abordagem e estratégias para cativar este público. Falta também ao órgão oficial de turismo a produção de um guia com roteiros e orientações, sobre onde acontece a vida gay”, explica o membro da equipe técnica da capacitação Marco Antonio Conceição. O curso acontece até 1º de junho, no Centro de Convenções. Segundo a Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes, a qualidade no atendimento é o item principal na avaliação de um destino gay-friendly.

Para o professor Maurício Tavares, que já sofreu constrangimen to em um hotel paulista, a capacitação contribui para reduzir a discriminação. “A iniciativa deve mesmo partir do estado. O dinheiro acaba sendo o intermediário. É um mercantilismo positivo”.
Em São Paulo, um amigo de Tavares foi recriminado porque queria visitá-lo no hotel. “Acham que se você é gay, outro homem que sobe no quarto é para fazer sexo”. Outra gafe comum é a oferta de quarto com duas camas de solteiro a um casal homossexual.
Embora não esteja no grupo que recebe treinamento, a recepcionista Jaqueline Alves, 23, não tem constrangimento em perguntar que tipo de quarto o casal prefere.“Trabalho em frente à Praia dos Artistas, com uma diversidade enorme de público. Não pode haver preconceito”.

‘A gorjeta é boa’ 
Se o táxi de Claudio Lobo, 32, falasse, as histórias poderiam deixar de cabelo em pé até o passageiro mais assanhado. Há quatro anos, ele descobriu o nicho GLS e trabalha com corridas personalizadas.“Falo logo para entrar e ficar à vontade, pode fazer o que quiser: beijar, tirar a roupa. É uma forma de fazer a pessoa descontrair, dar risada e se sentir à vontade. O segredo é ter bom humor, ouvir e não ser preconceituoso”. Casado, pai de duas filhas, Claudio faz o serviço completo: pega o turista no aeroporto e inicia o roteiro GLS por points tradicionais - como Beco dos Artistas, no Garcia, até bares descolados, como o Marques, na Barra.

“Fica em frente ao Hiperideal (mercado) e só dá bonitão”. Custa a revelar o preço para a corrida personalizada: não sai por menos de R$ 250 para ficar à disposição por noite.
“Gay paga melhor, mas o bom atendimento é fundamental. O mal é que minha categoria ainda é ignorante”, desabafa, mas sem reclamar. Afinal, por causa da fama de bom profissional, recebe até quatro ligações por semana de turistas.
No carro, panfletos de saunas, boates e bares descolados. “É um bom mercado. Eles ganham bem, usam bons perfumes, têm nível superior e dão boas gorjetas”.

Números
Gasto
O visitante estrangeiro GLTB gasta aproximadamente US$ 200 por dia - a média dos demais turistas é US$74 
Origem EUA, Argentina, França, Itália, Espanha e Alemanha estão entre os que mais enviam esses turistas para o Brasil 
Destinos preferidos Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Florianópolis
(notícia publicada na edição impressa do dia 24/05/2009 do CORREIO DA BAHIA, por Mariana Rios).

 

 

 

 


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