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Uma crônica sobre os gays e o racismo dentro e fora

Por Redação
26/07/07

Foto: Divulgação/arquivo

Marcelo Cerqueira, Grupo Gay da Bahia (GGB)

Uma pergunta tem sido nos últimos anos motivo de muita inquietação por parte de uma parcela de ativistas homossexuais que fazem o recorte da questão racial no movimento e essa relação com os demais homossexuais que circulam fora das fronteiras do movimento homossexual brasileiro. Na verdade não se trata especialmente de uma pergunta, mas de uma afirmativa. Existe racismo no Movimento homossexual Brasileiro. Eu acredito que não. Não existe racismo dentro do movimento homossexual brasileiro.

Dentro do movimento não existe racismo porque os ativistas em geral são mais politizados. Não é correto tomar atitudes racistas, inclusive porque muitos gays, lésbicas e travestis fazem parte de grupos organizados. Uma postura racista é ser contraditório com tudo aquilo que agente defende como liberdade e como estilo de vida bom que queremos para todos.  Por isso se houver pessoas racistas no movimento serão logo desmascarados e admoestados. O movimento é organizado, atualizado cientificamente, e tem postura bastante liberal, aceitando-se todas as diversidades, ou quase todas, desde que não infrinjam a liberdade alheia. Não faz sentido existir posturas racistas num meio que está sempre se policiando em ser politicamente correto.

Contrariando essa lógica e prática dos ativistas gays, lésbicas e travestis, no que se refere aos glbts não militantes, certamente muitos desenvolvem posturas e práticas excludentes em relação à cor da pele e outras características físicas. Estabelecem como critério de elegibilidade para a relação social e sexual a cor da pele, assim como ser mais ou menos efeminado.  De um modo geral são racistas e machistas excludentes, sim, refletindo as mesmas posturas excludentes dominantes na sociedade global, brasileira e mundial. 

Um grande problema é o estilo de vida que muitos gays escolheram para se guiar. Imbuídos de uma mentalidade consumista e burguesa muitos homossexuais masculinos almejam o estilo de vida da classe média alta brasileira tal qual vêem nas novelas da televisão,  tentando reproduzir pari passu a mesma visão e estilo das madames socialities: aparentar que é rica, ler a revista Caras, delirar se achando melhor que as outras “bibas”, criticando tudo, todos, sempre com aquela fixação pelo “beautifull people”. É muito comum ouvir elas dizerem: “a festa só tinha gente bonita!” Para esse tipo de homossexual, boniteza equivale a  gente branca, olho azul ou verde, cabelos lisos. A expressão “gente bonita” é usada por uma parcela significativa de gays para identificar outros homossexuais ou heterossexuais simpatizantes não negros.

Essa postura é muito observada nos ideais de classe média de uma parcela significativa de homossexuais estilistas, cabeleireiros, que acabam influenciando os demais, ou mesmo causando profundo sofrimento  em outros homossexuais em fase de  construção de uma identidade gay, ou mesmo na tentativa de afirmação de uma cultura gay. O saldo disso é a reprodução caricatural do ideal de classe média alta das madames e das moças ricas, brancas e de olhos azuis. 

Certamente não defendo em absoluto a uniformização cultural nem estética, mas foi com base nesse tipo de interpretação e aculturação decadente, que Mao Tsé-tung proibiu esse negócio de moda burguesa na China, vestindo todo mundo com apenas um modelito...

Que existe racismo “cordial”  na comunidade homossexual,  não se pode negar, basta um olhar mais apurado na cena gay. O que podemos afirmar também é que parcela de homossexuais não são somente racistas, mas preconceituosos em geral. Preconceito em relação a idade: o típico caso de chamar de maricona ao homossexual de terceira idade. Em qualquer ambiente gltb, há muitos gays que são contra todos, só não são contra o bofe, o macho a caceta.  A bicha fica de cara fechada para todos seus iguais. Quando chega o moleque, se abre em flor.

Se se trata de bichinha de cor negra, é o pior calvário. Eu mesmo já ouvi tantas chamando umas as outras com o nome de Zezé Mota, Chica da Silva... Apesar da  cantora Zezé Mota ser  uma excelente artistas, usam seu nome na tentativa de desqualificar o outro, já que no imaginário de muitos brasileiros a cor preta é algo depreciativo.
Um fato curioso dentro da cena gay é a existência de dois tipos de  pretos. O bofe preto é um Deus, porque é o macho e o macho não tem cor. O elemento macho tem um pênis potente.

Algumas têm preconceito e racismo para que esse seja o amor da sua vida, mas, não para momentos de prazer, sexo e luxúria. Se o bofe negro é um Deus, já a outra bicha negra, esse homossexual não gosta, tem fobia. Não é gente bonita, não é fofa. Agora ta na moda chamar de fofo e fofa. “Que fofo!” A bicha ou o gay preto não são bem vestidos com as roupas que elas acham que são chiques e caras. Isso tudo são maneiras grosseiras de agredir os mulatos e negros.

De cara é a presença do racismo que está incluído em todas as normas que elas as bichas do establishment  têm para subordinar e infernizar as outras.  É contraditório, porque ao moleque elas se dão e muitas vezes pagam caro pelo prazer, as vezes até com a própria vida. Agora,  com as negras e mulatas, a cor escura da  pele é um motivo para desprezar.

Não são todos os homossexuais que são racistas e preconceituosos já que estes acabam recebendo informações racistas por parte de todo o conjunto da sociedade. É falsa a premissa que toda bicha é racista, sou bicha, logo sou racista. Não é isso, não funciona assim, não é verdade. Agora, muitas bichas buscam o que é defeito na outra pessoa para menosprezar, mas por outro lado elas se entregam sem preconceito aos bofes, inclusive negros.  
Como dizia uma bicha democrática baiana: bofe não tem cor, só pica. E melhor, só pica, o resto é o suporte da pica...

 

 


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