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Adeus menina
Morre Valuá, conhecida baiana travesti da cidade baixa
Assessoria do site do GGB
SALVADOR, BA – 9/12/07 - Faleceu no dia 1 de dezembro vitima de um derrame cerebral o vendedor de acarajé Roberto, conhecido como Valuá, vendia acarajé na Praia da Ribeira, cerca do Clube dos cabos de soldados. Valuá começou a sentir os sintomas do derrame no dia 30 de novembro, ainda chegou a receber tratamento no Hospital Ernesto Simões no Largo do Tamarineiro, mas não resistiu e acabou falecendo. O enterro foi no dia 2 de dezembro no cemitério das Quintas dos Lázaros, no bairro da Baixa de Quintas em Salvador. Valuá, Roberto ou Vera Baiana apesar de atender por vários nomes era um ser impar. Magro, alto, usava torços escandalosos e fazia alegria de todos que organizavam em filas para comprar seus bolinhos de acarajé. Brincava com os clientes de sues bolinhos dizendo que na Bahia era Cira, Regina, Dinha e Valuá na Ribeira. Ele começou a vender acarajé na Avenida Estados Unidos ao lado dos Correios. Vendia sempre acompanhado por uma baiana porque a Federação do Culto afro órgão da sociedade civil que regulamenta a profissão não permitia que homens vendessem acarajé, por entender que essa seria uma atribuição exclusivamente feminina. O GGB a partir desse caso isolado conseguiu estabelecer um dialogo com a Federação do Culto Afro para derrubar essa imposição e estender o beneficio a todos os homens que comercializam acarajés na Bahia. O beneficio foi concedido na gestão de pai Aristides Mascarenhas, qual regulamentou e estabeleceu condições para a atividade. Uma conquista que reconheceu Valuá como baiana (o) tradicional. Seu tabuleiro podia-se encontrar acarajé, passainha frita, bolinho de estudante, sardinha frita no azeite de dendê e tradicional doce de tamarindo. O GGB sempre valorizou Valuá. Nas comemorações promovidas pela entidade lá estava ela oferecendo os seus quitutes saborosos aos convidados. Valuá deixa uma enorme saudade, sua cor preta, seu sorriso branco, sua roupa branca, seu saltinho alto caminhando toc,toc,toc., seu torço inseparável sua marca registrada. Além de tudo, era generosa, cansava de vê-la dando acarajés aos pobres, aos que passavam e pedia “ô baiana me dê uma acarajé ai, vá”, ela dava e talvez por gestos como estes que ela fosse tão estimada na cidade baixa, no ponto onde vendia. Vá lá negona, agente fica na saudade e na lembrança, vá vender seus quitutes no céu, junto a Deus.
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