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Violência Policial
Advogado da CADS em São Paulo agredido por Policia Militar em Parada Gay de Santo André
Magistrado emvia carta de protesto as redações pedindo providências a PM paulista
SALVADOR, 7/10/09

 

Dimitre Sales , autor da carta

Gustavo

A carta vem de São Paulo e expressa a violência desnecessária cometida por policiais militares durante a Parada Gay de Santo Andre, região do ABC Paulista nesse domingo. Começa a carta.

Meus Prezados Amigos,Espero que estejam bem e em paz!

Escrevo-lhes para relatar os fatos de violência policial ocorridos na tarde do último domingo, ao término da Parada do Orgulho LGBT de Santo André.

Por volta das 18h a Polícia Militar começou o processo de desobstrução da via onde aconteceu a Parada (Avenida Firestone), conforme acordo firmado anteriormente com a Prefeitura Municipal e a organização da manifestação. Contudo, alguns policiais passaram a agir de forma excessiva, jogando as viaturas sobre os participantes ou agredindo-os com cassetetes. Estávamos eu, Deborah Malheiros (da Coordenação de Políticas da Diversidade Sexual de São Paulo), Gustavo Menezes (Advogado da Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual da Cidade de São Paulo), Renata Perón (Drag Queen) e seu assistente Johnny.

Ante as cenas presenciadas, nos dirigimos ao comandante da segurança da Parada, Capitão PM Wlamir, para expor a situação e solicitar providências, evitando a continuidade das referidas agressões. Apresentei-me como Coordenador de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo e, ante a conversa, o Capitão comprometeu-se a verificar os fatos denunciados e adotar as medidas suficientes para a desobstrução da pista sem o cometimento de excessos. Ressalta-se que toda a conversa deu-se em clima bastante amistoso, conforme relatou posteriormente o próprio Capitão Wlamir.

Enquanto conversávamos, alguns populares encostaram-se à roda formada por nós e pelos policiais militares e passaram a reclamar dos atos de violência. Nesse instante, uma jovem adolescente foi puxada por um policial, que a agarrou pela garganta, pressionando-a. Fui reclamar com o policial, que não portava o distintivo que deveria identificá-lo (por lei, não podem tirá-lo quando estão em qualquer operação). Solicitei que soltasse a garota. Naquele momento, outro policial que estava à minha frente, bem próximo de mim, “carregou” a sua escopeta (deixando pronta para ser acionada) e apontou em minha direção. Comecei a gritar para que abaixasse a arma! Foi então que o primeiro PM, sem que eu estivesse vendo-o (pois me centrava na escopeta apontada diretamente pra mim) soltou a garota e lançou um forte jato de spray de pimenta em todo o meu rosto e pescoço. Mesmo ardendo muito, eu gritava para que ele apresentasse o seu distintivo, que se identificasse (era tão corajoso para agredir sorrateiramente uma pessoa, mas pouco para assumir teus atos).

Para que pudéssemos indiciá-lo posteriormente, Gustavo tentou fotografá-lo. De igual modo, o referido policial dirigiu-se ao Advogado da CADS e tentou impedi-lo de registrar a sua imagem, lançando sobre o seu rosto outro forte jato de spray de pimenta.

Sem conseguir enxergar e com forte ardência nos olhos, rosto e pescoço, fomos retirados de perto dos policiais pelos que estavam nos acompanhando e populares. A sensação de intensa agonia provocada pelo spray perdurou por mais de 1 hora. Até agora (mais de 10 horas depois) ainda sinto arder os olhos.

Em seguida, a Polícia começou a “evacuar” toda a área, mas nós não nos afastarmos da via. Começamos a acionar as autoridades do Governo Estado, aí incluídas o Secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Antonio Guimarães Marrey, o Comandante Geral da Polícia Militar, Cel. Álvaro Batista Camilo, dentre outros. Passado algum tempo, chegou um Capitão da Polícia Militar (André Luiz) que, juntamente com o comandante da operação, Capitão Walmir, nos ouviu e nos encaminhou para o Quartel do CPA M-6, onde eu e Gustavo prestamos depoimento. De lá, fomos ao Hospital Militar onde realizamos exame de corpo de delito. Com isso, foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) que deverá apurar as responsabilidades.

Bom, tenho grande esperança de que esses fatos serão devidamente apurados e os policiais envolvidos serão corretamente punidos. Como Coordenador de Políticas para a Diversidade Sexual posso testemunhar o esforço que a Polícia Militar do Estado de São Paulo tem tido para enfrentar a homofobia mesmo dentro das instituições policiais. Ainda que possamos, com sólida desconfiança, apontar que os policiais agressores sejam homofóbicos, não posso afirmar que a postura aqui relatada seja a expressão de uma “polícia homofóbica”.

Encaminho anexadas algumas fotos em que eu e Gustavo estamos com os olhos bastante vermelho e os rostos inchados. Também, segue o link em que o site A Capa anuncia divulgou as agressões. Por fim, quero tranqüilizá-los, pois estou sentindo-me bem!

É isso: seguirei na mesma defesa dos direitos humanos, em qualquer lugar e momento em que eu estiver! Um grande beijo,

 

 

 


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