GAYS REPUDIAM VISITA DO PAPA
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Luiz Mott, Antropólogo, Universidade Federal da Bahia, Fundador do Grupo Gay da Bahia e Decano do Movimento Homossexual Brasileiro Diretamente de Roma |
SALVADOR, BA, 6/05/07 - A condenação dos homossexuais tem sido um dos temas mais recorrentes no discurso e biografia de Bento XVI: já em 1981, quando assumiu a presidência da Congregação da Doutrina da Fé, o antigo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, tornou-se o principal mentor intelectual de João Paulo II em sua obscurantista condenação moral ao amor entre pessoas do mesmo sexo. Depois do Apóstolo Paulo, recentemente diagnosticado pela psicanálise como homossexual latente, Ratzinger, o ex-soldado nazista que agora senta no trono de São Pedro, foi a autoridade eclesiástica que mais agressivamente e com maior envolvimento pessoal, bateu forte no “amor que não ousava dizer o nome”. Diz ele: “Segundo a ordem moral objetiva, as relações homossexuais são grave depravação e intrinsecamente desordenadas, não podendo em caso algum receber qualquer aprovação.” E mais: "A igreja classifica os casamentos homossexuais como imorais, artificiais e nocivos. Fazem parte da ideologia do mal.” Em 1986, na infame "Carta aos Bispos Norte-Americanos", proibiu aos sacerdotes desenvolver qualquer cuidado pastoral aos homossexuais católicos. Em 1993, no novo Catecismo da Igreja Católica, a homossexualidade é considerada "intrinsecamente má". Depois, reagindo à histórica decisão do Parlamento Europeu de recomendar aos Estados membros que legalizassem o casamento de pessoas do mesmo sexo, o Papa Inquisidor declarou sem pejo: "o homossexualismo é uma desordem moral!", opondo-se intransigentemente a reconhecer que um casal de homens ou duas mulheres possam cumprir a lei áurea do Cristianismo: "amai-vos uns aos outros". Na Espanha, no ano passado, puxou a orelha dos reis católicos pela legalização da união homossexual.
A homofobia - intolerância à homossexualidade, e a misoginia - discriminação às mulheres - preconizadas pelo chefe da Igreja Católica, representam um atentado à razão e aos direitos humanos, obscurantismo mais abominável e desumano do que a estupidez de Urbano VIII, quando impediu que Galileu divulgasse sua revolucionária descoberta: que a Bíblia estava errada ao dogmatizar que a terra era o centro do universo. Hoje, todas as Ciências - da Biologia à Antropologia, passando pela Psicologia e Genética Humana - confirmam una voce que, em termos de normalidade, absolutamente nada distingue os homossexuais dos heterossexuais. Nos países desenvolvidos, onde as minorias sexuais e os direitos humanos são mais respeitados, a prática vem demonstrando que gays e lésbicas são cidadãos tão responsáveis e respeitáveis como os celibatários ou casais de sexo oposto. Portanto, propagandear que “o homossexualismo é intrinsecamente mau", é tão obtuso como negar o heliocentrismo; lançar anátemas ao casamento unissexual, negar o direito das mulheres de exercerem o sacerdócio, condenar o uso da pílula e do preservativo, são posturas tão iníquas e inaceitáveis, como as fogueiras da inquisição e a escravidão, ambas diabólicas invenções abençoadas pela Igreja.
A resistência de Bento XVI em aceitar a diversidade e evolução dos costumes, torna-o culpado de crime de lesa humanidade: responsável pelos milhões de mulheres que morrem vítimas de abortos praticados clandestinamente; pelos milhares de jovens que se contaminaram pela AIDS; pela multidão de gays e lésbicas que se suicidam e sofrem todo tipo de discriminação e acabam assassinados por carrascos inspirados na perversa doutrina cristã que demoniza o amor entre iguais. O sangue de todas estas vítimas inocentes clama contra este cruel Vigário de Cristo que tudo faz para emperrar o carro da História. Galileu estava certo, a Igreja errada. A Organização Mundial de Saúde ao reconhecer a normalidade da homossexualidade é que está certa, o Papa e os Bispos, errados! Nós, milhões de brasileiros homossexuais e simpatizantes humanistas, denunciamos Bento XVI como o maior inimigo contemporâneo dos direitos humanos dos gays, lésbicas e transgêneros, por fornecer odiosa munição para os que discriminam, violentam e matam os amantes do mesmo sexo. A visita do Papa Inquisidor ao Brasil é uma afronta a mais da metade da população brasileira, representada pelos homossexuais e mulheres, que continuam a ser estigmatizados e desumanizados com a mesma intolerância como no tempo das fogueiras da Inquisição. Entre Ratzinger e Jesus, ficamos com o Filho de Deus, que nunca condenou os homossexuais!
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