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GGB quer co-responsabilidade a motéis do centro
Por Redação
SALVADOR, 2/10/09 A morte violenta do apresentador Jorge Pedra na noite de ontem em um hotel no centro de Salvador estimulou o Grupo Gay da Bahia (GGB) enviar nessa terça-feira próxima uma carta a Superintendência do Uso do Solo da cidade de Salvador (SUCOM) órgão da prefeitura municipal solicitando uma ação geral de fiscalização nos estabelecimentos considerados hoteleiros do centro da cidade com denominação de hotel, mas que funcionam como se motéis fossem. A ação fiscalizadora na opinião do GGB deverá identificar aqueles estabelecimentos que são registrados como hotel de passagem, mas que na prática funcionam como motéis em desobediência a legislação municipal que estabelece áreas na cidade destinadas a exploração da atividade comercial. O zoneamento prevê a instalação de motéis fora das zonas residenciais e centrais. Os hotéis têm procedimentos distintos dos motéis. A regulamentação Geral dos Meios de Hospedagem do Ministério do Turismo do Brasil nos artigos 9 e 10 indicam que são obrigação dos estabelecimentos a identificação dos hospedes. Eles podem serem registrados pessoalmente, via documento ou por agentes de viagem. A norma aponta também para a necessidade de apresentação de documentos pessoais com fotografia que podem ser a Carteira Nacional de Identidade ou de Habilitação. No caso do assassinato do apresentador o hotel negligenciou não procedendo à identificação dos hospedes como deve ser feita. O hotel não pediu identificação, houve um assassinato, a legislação pede que hospedes sejam identificados e a taxa de ocupação seja informada aos órgãos governamentais. O assassinato deixou a população homossexual apavorada, porque mesmo sendo ele uma pessoa não muito dada a circular no meio, tinha um veiculo muito conhecido por ter a marca do Programa Fama que comandava na televisão, todos conheciam o apresentador de ver circular na cidade. Dentro da comunidade existe um sentimento da co-responsabilidade do estabelecimento diante dos fatos. “O hotel tem de ser responsabilizado por essa negligência” disse indignado um homossexual morador no Largo Dois de Julho que não quis se identificar. Entre os militantes do GGB o clima também é de tristeza e revolta. “Não é a primeira vez que acontece crimes como este em hotéis que funcionam como motéis no centro da cidade”, diz Marcelo Cerqueira do GGB, apontando para a necessidade de um controle rigoroso de quem entra e sai desses espaços para garantir a segurança, inclusive patrimonial. “Já que não tem segurança, circuito interno de televisão, qualquer um pode entrar e saquear todos os clientes” acredita Cerqueira. O GGB quer que esses estabelecimentos funcionem adequadamente ou feche as portas por ser uma atividade irregular em desconformidade com o alvará de funcionamento concedido pela prefeitura municipal. “Não custa nada pedir as identidades dos dois clientes e fazer o registro”, acredita Davi Aranha responsável Nordeste da Associação Brasileira de Turismo para Gays e Lésbicas. Ele também é da opinião de que existem diferenças claras de funcionamento entre motel e hotel o primeiro é mais reservado e por isso são dotados de normas de segurança. Já que hotéis centrais querem funcionar como motéis devem obedecer a essas normas. O agente de viagem acredita que o estabelecimento negligenciou e tem sua parcela de responsabilidade no caso. O GGB também vai se reunir com membros da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Policia Militar e Civil para encontrar uma forma de diminuir essas ocorrências. Uma sugestão também indicada pelo agente de viagem Davi Aranha é que a Policia Civil junto com outros órgãos do Estado possa oferecer um curso básico de formação aos atendentes, porque na opinião do mesmo eles carecem de qualificação nesse sentido, visto que as vitimas desses crimes são homossexuais, mulheres e turistas, respectivamente. “A Policia Civil poderá oferecer noções básicas para a observação de detalhes da fisionomia que ajudem na construção do retrato falado”, acredita. Dentro das ações segue a sugestão de desenvolver uma ação educativa junto à comunidade homossexual visando diminuir a vulnerabilidade face aos crimes. O GGB entende que é uma ação difícil de fazer por ser o individuo livre e dono do seu destino e algo desse gênero implica em uma mudança radical de comportamento que aos olhos da pessoa são bons e prazerosos. “Todos já tem a noção do perigo existente em determinadas situações, mas se arriscam, porque o desejo é muito forte e muitas vezes reprimido pela sociedade”, acredita Marcelo Cerqueira indicando que acontecimentos como este é o reflexo de uma forma de desrepressão selvagem, uma maneira de soltar adrenalinas e as emoções reprimidas. “Muitos homens fazem isso através, por exemplo, da prática de esportes radicais e sexo. Os gays soltam essa emoção cultivada pela homofobia interna e externa através do sexo”, esclarece Cerqueira. Conforme dados divulgados pelo GGB somente o ano passado foram registrados 24 crimes contra homossexuais. Esse ano os dados somados representam 19 homicídios. Um gráfico temporal de 1980 até novembro de 2009 aponta 374 crimes somente na Bahia. GGB divulga dados aprofundados da violência na Bahia O Grupo Gay da Bahia divulga dossier sobre assassinato de homossexuais LGBT
30% dos matadores de gays tinham menos de 20 anos. Entre as vítimas famosas,
o ator de teatro Moacir Moreno, o vereador Jose Ribeiro Rosa, assassinado em
1949, conhecido como "o crime da mala", o geólogo da UFBa Prof. Lamarck, o
cabeleireiro Cary, a pioneira drag-queen Floripes, o empresário Joel sócio
do Bar Quixabeira, recentemente Nelsinho, produtor musical residente no
Garcia e agora Jorge Pedra, apresentador do programa Fama e Sucesso.
Segundo Luiz Mott, "infelizmente, os assassinatos de homossexuais são uma
vergonhosa epidemia que torna a Bahia e o Brasil, campeões da homofobia.
Completou-se um ano da realização da 1ª Conferencia Estadual GLBT, com mais
de uma centena de propostas da sociedade civil e compromisso do governo em
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