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:É o ano de Safira Bengell
"Ninguém é mais homem como se veste; É preciso ser macho"
Ator transformista, Alberto é Safira Bengell, que completa 50 anos de idade e 30 anos de carreira em 2008 |
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28/02/08 - Teresina, PI - Alberto (sem sobrenome mesmo), 50 anos, piauiense, natural de Teresina, ator transformista, sindicalizado e atualmente ocupa o cargo de diretor do departamento de Shows e Variedades. Se consagrou fazendo espetáculos no Rio de Janeiro (RJ), viajou o Brasil todo e depois deslanchou na Europa.
Este, ou melhor, esta é Safira Bengell, uma celebridade local, onipresente, que, garante ela, vê 2008 como o seu ano. "Completo 50 anos de idade, 30 anos de carreira e me candidato nas eleições de Teresina", anuncia. Safira, que veio ao 180graus.com contar um pouco de sua história e falar de sua pré-candidatura a vereadora, é um misto de irreverência com experiência.
" Para fazer o que eu faço é preciso ser macho. Aliás, ninguém é mais homem do que eu só pelo modo de se vestir", desafia. Safira não é do tipo que foge de determinados assuntos. Fala de tudo (e até de todos) se for questionada. Inteligente, cadencia suas respostas. "Desde meus 14 anos me visto de mulher. E, imagina só naquela época, numa sociedade conservadorista", afirma.
Filho adotivo de José Aureliano, já falecido, e Maria do Socorro, atualmente morando no bairro Ilhotas, zona Sul de Teresina, Alberto assumiu o nome de Safira Bengell quando morou, ainda jovem, no Rio de Janeiro (RJ). Fugiu de casa duas vezes. Primeiro para Fortaleza (CE), onde foi trabalhar em um hotel, e depois para a capital carioca. Lá conheceu nomes da boemia do Rio, como Rogéria, o ator transformista mais famoso do Brasil.
"Foi na região da Lapa (RJ) que comecei minha carreira artística. Fiz shows e apresentações por lá para depois ir à Santos, São Paulo e toda a região do eixo Rio-São Paulo. Rogéria queria me dar o nome de uma pedra, escolhemos Safira. Eu escolhi o sobrenome, após conhecer a história de Norma Bengell, a primeira atriz brasileira a aparecer nua no cinema nacional e que fez sucesso cantando também. Daí pra frente, consegui ir à Europa e ganhei um bom dinheiro. Vi que era hora de voltar à minha terra natal".
Safira passou 25 anos fora do Piauí. Quando retornou, sabia que tinha de encarar a sociedade vestindo-se como tal. "Nunca me preocupei se iriam apontar o dedo para mim. Sou eu mesma. Hoje, sou aceita na sociedade porque sei como me comportar. Não sou aquele tipo de 'bicha rasgada', que sai por aí gritando enlouquecida. Tenho minha imagem e sei que é respeitada por onde quer que eu vá. Tenho que entender as pessoas para depois elas me entenderem. Fico satisfeita por ter este respeito na minha terra hoje em dia".
E é verdade. Safira está há 15 anos com Gian Luigi, um engenheiro marechal das Nações Unidas italiano. Sem qualquer pudor, ora ou outra eles são vistos juntos em grandes festas da sociedade piauiense. Agora, Safira busca um desafio ainda maior: ser eleita vereadora por Teresina. É pré-candidata pelo Partido Verde, o PV, e já tem projetos em mente que pretende implantar, caso seja eleita.
"Não vou levantar uma bandeira gay, como se fosse só isso. Na verdade, pretendo defender o interesse das classes sociais como um todo. Quero ir em busca do bem estar social coletivo. Sei que estou surgindo em uma era em que as pessoas estão buscando figuras que são como eles, eleitores. Por isso nomes como Clodovil Hernandez são eleitos. As comparações são inevitáveis. Mas cada um precisa buscar o seu espaço. Eu não sou política. Vou fazer política". Safira diz que um dos projetos que pensa em implantar é a tarifa única para quem anda de ônibus urbano coletivo. "Vejo as pessoas tendo que sair de casa, na zona Norte de Teresina, para pegar um para sair do Centro e outro até a zona Sul. Nesse caso paga três vezes a passagem. Porque não pagar uma única vez, tipo ter um vale-transporte único?! Vou fazer a diferença nesta eleição. Me aguardem".
Repórter: Allisson Paixão
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